quarta-feira, 16 de abril de 2008
A leitura na grande cidade
Despertou com a luz do sol em seu peito. Não se preocupou com o horário naquele amanhecer de segunda-feira. Levantou-se, agarrou o livro e caminhou até a sala de estar. Ninguém acordara àquela hora. Sentou-se na poltrona e deu início à leitura. Sentiu-se calorento, deixou o livro de lado, se levantou e abriu a janela de correr. O ar poluído entrara em suas ventas. Os zumbidos provenientes das buzinas o deixavam atordoado e a gritaria na rua também. A grande cidade não era de seu interesse. Fechou a janela e sentou. Pode, então, retomar a leitura.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
O túnel
Aquela caverna chegava cada vez mais perto. Tudo ficava maior, os sons ecoavam mais alto, à medida que se aproximava. Era lindo, mas espantoso. Aquelas bolas luminosas trafegando no lugar o deixavam tonto. O ar ficava escasso e os olhos lacrimejavam. As mãos, suadas, escorregavam do volante. As pernas tremiam enquanto, desesperadamente, desejava que aquilo acabasse. De repente, vê um brilho ao fim. A esperança toma conta de seu corpo. Suas mãos, mais firmes, agarram com força o volante. As pernas já não tremem mais. As luzes se enfraqueciam, eram esquecidas gradativamente. Finalmente, pôde enxergar novamente. A lucidez era tão maravilhosa.
O elevador
Entrou lenta e solenemente no elevador daquele edifício. As sete pessoas que alí estavam cobriam quase que inteiramente o aviso: "Máximo de 8 pessoas ou 300 kg.". Não deu bola. Estava suando. O dia corrido e abafado deixava-o nervoso naquele início de novembro. De repente, com o fechamento das portas, o elevador começara a subir pelos majestosos andares do prédio. Não havia espaço para qualquer movimento. Estavam todos estagnados em suas posições, almejando que alguém dalí saísse. Nem a ventoinha estava funcionando. E então, para desespero de todos, um cheiro pairou pelo cubo móvel. Era uma mistura de suor humano com macarrão ao molho madeira. Disfarçando o movimento com a pasta, cobriu o rosto com a mão direita para evitar que o cheiro penetrasse em suas narinas. Seu objetivo, o décimo andar, ainda estava longe. Contavam-se os minutos. Até mesmo os segundos. Pouco a pouco o elevador esvaziava. Parou no quinto andar. Saiu do elevador e continuou sua jornada pelas escadas. Não agüentou.
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